De novo

Lembrar: não falar com ele no msn, nem no orkut, nem trocar email. Quando é pra dar certo, dá certo e ponto final; nada de pedras no caminho.
PS:
Acho que o amor de Jean Paul Sartre e de Simone de Beauvoir foi o que se pode chamar de verdadeiro, porque foi o amor que não escraviza; não sufoca; não cobra; não precisa exigir que se fale a verdade, porque ela está implícita (até a omissão é real); não é possessivo; não quer ser o melhor para os outros; não quer modificar / moldar o outro; não precisa de aplausos pra acontecer.
Minha conversa está parecendo com uma passagem da Bíblia, de Paulo, em Coríntios, e o que me passou agora, fazendo essa descrição tão “pauliana” do amor (não vou dizer cristã, porque seria muito ampla), é que eles – Sartre e Beauvoir – eram ateus. Pois é: parece que quando se tem liberdade, quando não se precisa expiar nenhum pecado, quando não se tem dívida a pagar, fica mais fácil amar, transar, sentir, querer, desejar, odiar, ou seja, ter congruência no pensar, no sentir e no agir.
Se uma mulher resolve continuar com seu marido depois de uma traição porque acredita que isso é o melhor pra sua família... se um homem resolve casar com uma mulher porque ela está esperando um filho seu, e isso seria a melhor atitude de um homem sério e honesto... Eu penso que as pessoas vão se anulando porque têm verdades pré-concebidas pras suas vidas, ganharam um manual que pode lhes garantir a felicidade, se não nessa vida, quem sabe em outra? E elas vão ficando cada vez piores, porque há incongruência entre seu sentir e seu agir. Não dá pra amar desse jeito!
Para amar é preciso ser congruente e aceitar o outro plenamente congruente. É preciso abrir mão do egoísmo e admitir, como Danielle Miterrand, que “não somos o centro amorável do mundo do outro”. Mas vê só que grandioso é esse amor verdadeiro: "Fizeram o que bem entenderam, naquela fidelidade de voltar sempre à mesma pessoa".
E o respeito vem como conseqüência porque eu sou eu e você é você. Eu não preciso ser o que você quer que eu seja nem vice-versa. Se eu preciso exigir que você me diga a verdade, a verdade não será sua, não será minha, e trará, talvez, muitas conseqüências ruins. Se o silêncio é seu, ele é muito mais sincero que a minha verdade cobrada, e não trará dor, porque ele tem motivo, ele tem um pouco de você e um pouco de mim também.
E a gente vai amando, não dessa forma ideal, mas do jeito que dá... porque esse amor verdadeiro é demais pra mim e pra quase todo mundo. O amor verdadeiro não cabe em mim ainda, mas eu já posso, ao menos, compreendê-lo e admirá-lo. Talvez a verdade também não me caiba ainda.
Com essa nossa pouca disposição ao amor verdadeiro, só estamos podendo fazer juras de necessidades eternas - “preciso de você por toda a minha vida; preciso que você me faça uma grande surpresa no meu aniversário; preciso que você me apresente como a sua namorada (a sua escolhida, afinal! como sou especial...); preciso que você me diga o quanto estou gostosa; preciso que você reclame do meu arroz papa; preciso que você me xingue de puta de vez em quando” – ou de tesão eterno – “quero te dar três vezes ao mês, quando eu estiver no meu período fértil, cheia de vontade e prometo não estar cansada nem com dor de cabeça nesses dias!”
E a gente vai levando. E a gente vai amando.
(ou tentando, ou querendo, ou...)

Ganhei 30 margaridas!

Tatá Ninômia disse...

Grazie,

Um dos melhores dos seus que já li.

(Inspiração!)

Faço das suas palavras as minhas.

Obrigada pela visita lá no blog.

Bjão

Albertt disse...

Cazuza sempre será um alenda..
adora as musiks dele...
sobre seu post!
O amor hj ta muito rotulado,
se vc me ama faça isso, e etc
pessoas mudando por causa de outras e bla bla bla
abraços

Salve Jorge disse...

Amor verdadeiro
No momento derradeiro
É só o picadeiro
De uma história anunciada
Uma fábula ilustrada
Por uma espectativa enfeitada
E uma realidade adaptada
A algo que devia ser primeiro
MAs que só entra no terreiro
Pra criar problema
Até parece um bom lema
Um belo tema
MAs é como efizema
Vai te devorando
Com seu ar acabando
E enquanto vais amando
Tudo vai mudando
E percebe que esse pretensamente verdadeiro amor
Tinha sua única cor
Cujo sabor
Não competia definição...

Jana disse...

é eu concordo com vc, sobre a forma de amar, e sobre não falar (se for pra ser, será)

beijos

Renato Alt disse...

Por mais que se repita que não existam, todos ainda tentar encontrar fórmulas para o amor; todos tentam moldar o outro pela própria fôrma, ainda que, ao consegui-lo, percebam que agora já não o querem mais.
De minha parte, posso garantir que já há tempos estou cansado dos joguinhos; entretanto, será que já não é este mesmo um outro jogo?

Seja como for, lutar por sermos menos cobrados, e assim mais nós mesmos, é luta sempre válida.

Beijos.

Isabel disse...

Show!!! Um tapa na cara de quem acha que o amor é uma troca de interesses. "Te amarei enquanto você puder suprir minhas frustrações ou puder me oferecer algo de lucrativo". Grazi, veja o texto que o Fabrício Carpinejar publicou no blog dele hoje. Você já foi lá? O link é http://www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br/. Parece contigo. Acho que você vai gostar. Beijocas, Bel (do Beleleo).

Daniel disse...

O Homo Sapiens tem idéias pré-concebidades sobre tudo. A liberdade do pensamento trás sim liberdade. Como diz Nietzsche, "todo homem é a sua própria prissão, e seu próprio esconderijo". Sem prissões e sem esconderijos, coragem pra viver e pensar aquilo que se quer, e amor como quiser. Bjus e bfs.

http://so-pensando.blogspot.com

Filipe Garcia disse...

Grazy,

muito verdadeiro tudo isso o que você disse. O amor tem que inovar, inaugurar. Isso de fazer como deve ser feito ou de amar assim e assado não cola, não dura. Amor precisa de liberdade. Estou de acordo com seu texto bem escrito. Gostei do tom indignado das palavras. Também me sinto assim agora, rs.

Beijo

Iúna disse...

entrei aqui para comentar o lindo texto e a bela orelha, enquanto ouvia jorge da capadócia com a fernanda abreu e ela dizia "salve jorge". Aí, numa dessa coincidências coincidentes vi dentre os comentadores, nada mais nada menos que salve jorge.
acho que isso é um sinal, sinal de que aqui é um lugar abençoado, forte, bom, se deixarem, vou ficando ...
amei

Elcio Tuiribepi disse...

Caramba...arrebentou, como estou sem palavras para definir o texto, deixo aqui um pedacinho deste..."Definindo o amor"...parabéns, bom domingo...


NÃO HÁ DEFINIÇÕES PARA O AMOR
NEM SEQUER SINAIS QUE SE ENTENDA
AMOR NÃO SE IMPÕE, É SEDUTOR,
É SENSÍVEL E ALÉM DE TUDO OFERENDA
AMOR É DE TI SEU PRÓPRIO AUTOR
INSTIGANDO O SONHO QUE ACALENTA
ENTREGANDO AO OUTRO O SEU CALOR
E O LIVRE ARBÍTRIO QUE ATORMENTA

Jow disse...

como eu já lhe disse: é gostoso de se ler.

as suas aspirações e voltas quanto ao amor ideal são escritas de uma forma boa de se ler.

apenas tente amar-o-que-não-é-amar. tudo o que a gente quer é alguém pra chamar de "meu". desejo muito além do real sentido do amor.

beijos

Vânia Regina disse...

Perfeito!!!!! GGostei de cara das primeiras palavras...Preciso seguir..rsrsrs
Prazer e boa semana.

Lily disse...

adorei o texto! de verdade!
acho que para amar, necessitamos primeiramente de mta maturidade!

sobre o final do seu texto, me fez lembrar uma música dos titãs q diz: "existem provas de amor, apenas / não existe o amor."

Às vezes eu até acredito nisso, mas e aquela sensação de q vc naum precisa de nada, só aquele momento, aquela troca de energias, enfim... que tudo aquilo te basta e te inunda?
Acho q isso é o amor! Bom...deve ser... rsrs

Na verdade, cansei de tentar definir e descobrir se é ou não! deixa qqr coisa ser! se for bom, tá bom!

bjksss

Gabriele Fidalgo disse...

E vamos tentando, acreditando, sofrendo, acreditando, tentando... Parece que nunca pára.

E é muito complexo. Pessoas são complexas e fazem com que o amor pareça da mesma forma.
Mas concordo com você. Quando é pra ser, é. Criar atalhos por isso, só prolonga a dor.

Adorei o texto!

ps: essa música do Paul McCartney que eu citei no meu blog, está no album Band on the Run. E eu também coloquei o link do vídeo lá.:)

beijo!

Mari disse...

Vi seu comentário no blog Segredos de Liquidificador, da minha grande amiga Cin... como vc comentou que escrevou sobre amor, eu não resisti e vim aqui visitar...rs Eu tenho um texto que se chama: O amor não acaba... o amor verdadeiro não. Qualquer dia vou publicá-lo... Beijoooo

eder ribeiro disse...

Intenso e coeso o seu texto, o que dizer, é dificil definir o amor. Amar é saber renunciar, é compreender, é troca mútua. Bjos.

caicko disse...

Concordo contigo: muita gente se poda, se castra, se molda em nome do amor. E nessa de tanto deixar de sermos nós mesmos, acabamos por perder esse amor que tanto queremos... e ficamos com um quase-amor. Felizes aqueles que sabem ter a coragem de buscar a felicidade tantas vezes quanto for preciso. Adorei o texto. Beijo grande.

Fernando Rozano disse...

Oi Graziele, obrigado por passar em meu espaço. logo estarei de volta, a ediçaõ de livros tem ocupado o meu tempo e como gosto d eler o que comento, não tenho conseguido unir ambos. os teus texto são sempre muito ricos e densos par que eu não os leia com toda a minha atenção. ainda esta semana voltarei. meu abraço e um beijo e feliz início e semana.

MaRi LiLo disse...

Sou texto foi ímpar, fiquei toda emocionada... rs, tanto que lembrei do meu, ainda publico essa semana. Vc é de Brasilia ou mora em Brasilia? Eu moro em Brasilia... por mais algum tempo.. rs Beijoooo

ANDREA MENTOR disse...

Essa é a primeira vez que passo por aqui e, confesso, adorei. Mesmo porque, se vc passar no meu, vai ver que o exercício do amor tb está lá. ADOREI!! Tudo bem te adicionar na minha lista?

Mari disse...

seu texto é impar! emocionante pra quem se permite amar, das mais ariadas formas... eu vou para sao paulo ou rio de jneiro, por mercado de trabalho mesmo, os simplesmente por detesar Brasili... rs beijooooo

F. S. Júnior disse...

uau...tava inspirada, elétrica, hum?
e, ah se todas pensassem como vc...rs

Di disse...

Se for o melhor pra você mesmo, desejo que lembre de tudo que disse no início do seu texto e faça.

Ah, o amor... tá além de qualquer definição, por isso é tão almejado, eu acho.

beijins

P.S.: Grata por ter me desejado o tempo a meu favor, que esteja a teu favor tb, viu? :D

Stive Ferreira disse...

Hehe... Achei o título do post muito interessante ;-)
Me faz crer (querendo descrer)que a vida acontece em círculos (in)finitos e não em uma grande linha reta com "pódio de chegada e beijo de namorada"... como gostaríamos que fosse

Agora, com relação ao texto, impossível não lembrar da Epistola de Paulo aos Coríntios, definitivamente um dos textos mais belos que já li...

Queria até escrever mais alguma coisa, mas os pensamentos estão confusos por ora. Acho que ainda não digeri o texto por completo
It makes me wonder

Luciana Andrade disse...

Como dizia o poeta Cazuza.." O nosso amor a gente inventa pra se distrair.."
Muitas vezes o que chamamos de amor nada mais é que distração. Amor mesmo é raro como você bem disse...
Adorei seu espaço..

Cin disse...

Gostei das suas filosofias a respeito do verdadeiro amor, compartilho da sua opinião.
Beijos!

FINA FLOR disse...

posso dizer que encontrei um amor livre e que estou numa relação linda há 6 anos.... vale a pena tentar um amor a la Sartre e Simone, é possível ;o)

beijos, querida

MM.

Dani Vidal disse...

Adorei o texto
assino embaixo.

gostei muito do blog
voltarei mais vezes.
=)

Rackel disse...

Se a gente continua amando eu não sei, mas tentando, isso sim!, tentando bastante. Amar é um eterno exercício de paciencia...

Ft disse...

O amor é nada, e por isso existe e é verdadeiro, quando nada significa.
Apenas seja. Assim amará plenamente.

Confuso, né?
Que venha teu insight!